Receber o diagnóstico de Doença Renal Policística costuma despertar muitas dúvidas. Uma das mais frequentes é: quando devo começar o tratamento? Como muitas pessoas descobrem a doença durante exames de rotina e ainda não apresentam sintomas, é comum acreditar que o acompanhamento pode esperar. No entanto, essa não é a melhor estratégia.
A Doença Renal Policística é uma condição genética caracterizada pelo desenvolvimento progressivo de múltiplos cistos nos rins. Com o passar dos anos, esses cistos aumentam de tamanho e podem comprometer a função renal. Embora a evolução varie de uma pessoa para outra, o diagnóstico precoce permite adotar medidas capazes de retardar a progressão da doença e preservar a saúde dos rins por mais tempo.
Doença Renal Policística: entender o diagnóstico é o primeiro passo do tratamento
Nem todo cisto encontrado no rim significa Doença Renal Policística. Na verdade, os cistos renais simples são bastante comuns, principalmente após os 40 anos, e geralmente não representam risco para a função dos rins.
Na Doença Renal Policística Autossômica Dominante (DRPAD), porém, o cenário é diferente. Os cistos são numerosos, acometem ambos os rins e substituem progressivamente o tecido renal saudável.
Outro ponto importante é que a doença costuma evoluir de forma silenciosa. Muitas pessoas passam anos sem apresentar sintomas, enquanto outras começam a perceber alterações como hipertensão arterial, dor lombar, sangue na urina ou infecções urinárias recorrentes.
Por isso, o diagnóstico não deve ser encarado como um motivo para esperar os sintomas aparecerem, mas como uma oportunidade de agir precocemente.
Doença Renal Policística: quando o tratamento deve começar?
A resposta é simples: o tratamento da Doença Renal Policística começa no momento do diagnóstico.
Isso não significa que todos os pacientes precisarão utilizar medicamentos específicos imediatamente. O tratamento é individualizado e depende da velocidade de progressão da doença, da função renal e da presença de complicações.
O primeiro objetivo é preservar a função dos rins pelo maior tempo possível. Para isso, algumas medidas devem ser iniciadas logo após a confirmação do diagnóstico, mesmo em pessoas que ainda não apresentam sintomas.
Doença Renal Policística: controlar a pressão arterial é uma das prioridades
A hipertensão arterial costuma ser uma das primeiras manifestações da Doença Renal Policística e também um dos principais fatores relacionados à perda progressiva da função renal.
Por esse motivo, controlar rigorosamente a pressão arterial faz parte do tratamento desde as fases iniciais da doença.
Em muitos casos, o nefrologista prescreve medicamentos específicos, como os inibidores da enzima conversora de angiotensina (IECA) ou os bloqueadores dos receptores da angiotensina (BRA), que, além de controlar a pressão, ajudam a proteger os rins.
Doença Renal Policística: hábitos de vida também fazem parte do tratamento
Muitas pessoas acreditam que tratar a Doença Renal Policística significa apenas tomar medicamentos. No entanto, mudanças no estilo de vida também desempenham um papel importante.
Manter uma hidratação adequada, reduzir o consumo de sal, controlar o peso corporal, praticar atividade física regularmente e evitar o tabagismo ajudam a proteger tanto os rins quanto o sistema cardiovascular.
Outro cuidado importante é evitar a automedicação, principalmente com anti-inflamatórios, que podem acelerar a perda da função renal em algumas situações.
Doença Renal Policística: quando medicamentos específicos são indicados?
Nos últimos anos, surgiram tratamentos capazes de retardar a progressão da Doença Renal Policística em pacientes selecionados.
O principal deles é o Tolvaptan, medicamento indicado para pessoas com risco de progressão rápida da doença. Ele atua bloqueando a ação da vasopressina, hormônio envolvido no crescimento dos cistos.
Essa medicação é indicada para aqueles pacientes considerados rápidos progressões, identificado através de exames de imagem (ultrassonografia, tomografia ou ressonância) por meio do cálculo do Volume Renal Total, em que por meio da Classificação de Mayo Clínic tenham estágio superior a 1C; e que possuam uma taxa de filtração glomerular entre 25 e 75 ml/min.
Entretanto, nem todos os pacientes precisam desse tratamento. Além de provocar aumento importante da produção de urina e da sede, o medicamento exige monitoramento periódico da função hepática. Por isso, sua indicação deve ser cuidadosamente avaliada pelo nefrologista, considerando as características de cada paciente.
Doença Renal Policística: por que o acompanhamento é tão importante?
O acompanhamento periódico permite avaliar se a Doença Renal Policística está evoluindo de forma lenta ou rápida.
Além da creatinina, atualmente existem marcadores mais sensíveis, como a Cistatina C, que podem contribuir para uma avaliação mais precisa da função renal em determinadas situações, especialmente quando associada à creatinina.
Exames de imagem, como ultrassonografia, tomografia computadorizada e ressonância magnética, também são importantes para acompanhar o crescimento dos rins e dos cistos ao longo do tempo.
Essas informações ajudam o nefrologista a definir o melhor momento para intensificar o tratamento ou indicar terapias específicas.
Doença Renal Policística: os rins não são os únicos órgãos que podem ser afetados
Embora o nome da doença faça referência aos rins, a Doença Renal Policística também pode estar associada a alterações em outros órgãos.
Cistos no fígado são relativamente frequentes, embora raramente comprometam sua função. Alguns pacientes também podem apresentar alterações nas válvulas cardíacas ou aneurismas cerebrais, especialmente quando existe histórico familiar dessas complicações.
Por isso, o acompanhamento não deve se limitar apenas aos exames renais. O cuidado precisa ser individualizado e considerar a saúde do paciente como um todo.
Conclusão
O momento ideal para iniciar o tratamento da Doença Renal Policística é logo após o diagnóstico. Mesmo quando não existem sintomas, medidas como o controle rigoroso da pressão arterial, mudanças no estilo de vida e o acompanhamento regular com um nefrologista podem retardar significativamente a progressão da doença e preservar a função dos rins por muitos anos.
Se você recebeu recentemente o diagnóstico de Doença Renal Policística ou possui histórico familiar da doença, procure orientação especializada. O Dr. Filipe Miranda, médico nefrologista, realiza consultas por telemedicina para pacientes de todo o Brasil e atendimento presencial em Ribeirão Preto (SP), oferecendo acompanhamento individualizado para diagnóstico, tratamento e monitoramento das doenças renais. Quanto mais cedo o cuidado começa, maiores são as chances de preservar a saúde renal e a qualidade de vida.



