Gravidez e doença renal: o que você precisa saber?

“Doutor, eu tenho doença renal. Posso engravidar?”

Essa é uma dúvida que pode vir acompanhada de medo, principalmente quando a mulher já ouviu que a gravidez exige mais dos rins. Mas ter uma doença renal não significa, necessariamente, que a maternidade não seja possível.

Muitas mulheres com doença renal conseguem engravidar e ter uma gestação bem-sucedida. O que muda é que essa decisão precisa ser acompanhada mais de perto. A condição dos rins antes da concepção, a pressão arterial, a presença de proteína na urina e os medicamentos utilizados ajudam a entender os riscos e a planejar uma gestação mais segura.

Gravidez e doença renal: é possível engravidar?

Sim. A gravidez pode acontecer mesmo quando existe uma doença renal.

Nas fases iniciais da doença renal crônica, principalmente quando a função dos rins está mais preservada, a fertilidade pode permanecer próxima do esperado. Conforme a doença avança, porém, alterações hormonais podem interferir no ciclo menstrual e na ovulação, tornando mais difícil engravidar.

Em mulheres que fazem diálise, a gestação é menos frequente, mas também pode acontecer.

Por isso, se você tem uma doença renal e deseja ter filhos, essa conversa pode começar antes das tentativas. O nefrologista consegue avaliar como estão os rins e quais cuidados precisam ser considerados naquele momento.

Gravidez e doença renal: quais cuidados precisam ser maiores?

Durante a gravidez, os rins naturalmente passam a trabalhar de maneira diferente. Quando já existe uma doença renal, a resposta do organismo a essas mudanças depende muito da condição de cada mulher.

Uma paciente com função renal preservada, pressão controlada e pouca proteína na urina tem um cenário diferente de outra com doença renal mais avançada, hipertensão ou proteinúria importante.

Entre as complicações que precisam ser acompanhadas estão a pré-eclâmpsia, o parto prematuro e alterações no crescimento do bebê. Em algumas situações, também pode ocorrer piora da função renal.

Isso ajuda a entender por que não existe uma única resposta para a pergunta: “Minha gravidez será de risco porque tenho doença renal?”

É preciso conhecer a história daquela mulher.

Gravidez e doença renal: por que conversar com o nefrologista antes?

Imagine que você decidiu engravidar e, ao descobrir a gestação, percebe que um dos medicamentos que utiliza precisa ser revisto. Essa é uma situação que, quando possível, é melhor discutir antes.

Alguns medicamentos utilizados para controlar a pressão arterial e tratar doenças renais não são adequados durante a gravidez. Pacientes transplantadas também podem utilizar imunossupressores que precisam ser substituídos antes da concepção.

Isso não significa interromper medicamentos por conta própria ao decidir ter um filho.

A consulta antes da gravidez serve justamente para revisar o tratamento com segurança, avaliar a função renal, verificar a pressão arterial e a perda de proteína pela urina e entender se aquele é um bom momento para engravidar.

Gravidez e transplante renal: é possível ser mãe depois do transplante?

Sim. Inclusive, a fertilidade pode melhorar depois de um transplante renal.

Mas existe uma pergunta importante que precisa vir antes de “posso engravidar?”:

“Este é um bom momento para o meu organismo e para o meu rim transplantado?”

A equipe avalia quanto tempo passou desde o transplante, se a função do enxerto está estável, se houve episódios recentes de rejeição, a quantidade de proteína na urina e quais imunossupressores estão sendo utilizados.

Por isso, para a mulher transplantada, planejar a gestação também significa cuidar do rim que recebeu.

Gravidez e diálise: é possível ter uma gestação?

Também é possível engravidar durante a diálise, embora seja uma situação mais complexa e menos frequente.

Quando isso acontece, o tratamento costuma precisar de mudanças importantes. A hemodiálise pode ser intensificada, aumentando a frequência e o número de horas de tratamento por semana. Pressão arterial, anemia, nutrição, volume de líquidos e desenvolvimento do bebê também precisam ser acompanhados de perto.

Nesses casos, nefrologista e obstetra de alto risco precisam trabalhar juntos durante a gestação.

Gravidez e pedra nos rins: o que fazer se aparecer uma cólica?

Nem toda mulher que procura um nefrologista durante a gravidez já tinha uma doença renal antes de engravidar.

A cólica provocada por cálculo urinário é uma das situações que podem surgir durante a gestação. Como existe um bebê em desenvolvimento, tanto a investigação quanto o tratamento precisam ser pensados com esse contexto em mente.

A ultrassonografia dos rins e das vias urinárias tem papel importante na avaliação inicial. A conduta dependerá dos sintomas e da presença de complicações, como obstrução ou infecção.

Dor lombar acompanhada de febre durante a gestação, por exemplo, merece avaliação médica.

Gravidez e doença renal: como se preparar para esse momento?

Se existe uma mensagem que eu gostaria que uma mulher com doença renal levasse deste artigo, é que você não precisa descobrir todas essas respostas depois de engravidar.

Se a maternidade faz parte dos seus planos, podemos começar essa conversa antes.

Avaliar a função dos rins, controlar a pressão, entender a presença de proteína na urina e revisar os medicamentos são algumas das medidas que ajudam a conhecer melhor os riscos antes da concepção.

E mesmo que a gravidez já tenha acontecido, ainda é possível organizar esse acompanhamento. Cada situação precisa ser avaliada de acordo com a doença renal, o momento da gestação e as condições da mãe e do bebê.

Sou o Dr. Filipe Miranda, nefrologista, e realizo atendimento presencial em Ribeirão Preto (SP) e por telemedicina para pacientes de todo o Brasil.

Se você tem uma doença renal e está pensando em engravidar, agende uma consulta. Podemos avaliar juntos como estão seus rins e quais cuidados fazem sentido para o seu caso.

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